leitura

milk and honey – rupi kaur

A primeira vez que li um poema da Rupi Kaur indentifiquei-me imediatamente com ela e assim comecei a minha busca pelo Milk And Honey mas não encontrava em inglês. Em vista disso estava determinada em levar a minha procura até Londres. Por conseguinte esse livro teria muito mais significado do que já tinha para mim: de Londres, da minha livraria dos sonhos e em inglês. Três desejos realizados de uma vez só.

Milk And Honey É uma jornada pessoal, ela está de coração aberto para toda gente ler e por isso é tão sensível carregar este livro. Pelos 4 capítulos há uma transição constante de sentimentos acompanhado por ilustrações de traços finos. Particularmente senti que tinha a Rupi Kaur com a cabeça no meu colo, como uma mãe consola a decepção da filha com o mundo.

The Hurting

O abuso sexual teve início aos 5 anos. O mundo mostrou-lhe desde cedo que o seu corpo não lhe pertencia, sexo e amor são antónimos e ser mulher é ter medo incessante.

“The rape will

Tear you 

In half

But it

Will not

End you” 


The Loving

Ele não tentou por as mãos no que estava entre as suas pernas, primeiro tocou na sua mente e da mesma maneira conheceu o amor. É uma fase de segurança, aprendizado e entrega ao outro. 

“Nothing is safer

Than the sound of you

Reading out loud to me”


The Breaking

Eles sabem que não fazem bem um ao outro mas ficam na mesma, se destruindo numa relação iô iô. 

” I didnt leave because

I stopped loving you

I left because the longer

I stayed the less

I loved myself”

 

The Healing

Ela aprende a ter uma relação consigo mesma antes de ter com outra pessoa.

” you are in the habit

Of co-depending

On people to

Make up for what 

You think you lack

Who tricked you

Into believing

Another person

Was meant to complete you

When the most they can do is complement”

O melhor conselho que eu daria para uma amiga seria isto. Seja você mesma, se ame, se valorize, se cuide, aprecie a tua própria companhia, viaje sozinha, não coloque a tua felicidade nas mãos dos outros e seja completa!

T.

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Ler na era das distrações

Progressivamente tenho estado menos presente na Internet para não asfixiar-me com tantas informações, mas antes disso a minha vida era cheia de distrações que afectavam a minha leitura.

Não lia um livro há um bom tempo, a última vez que me recordo adorá-los foi com uns 12 anos e parei porque ganhei um computador. Todavia, no ano passado desafiei-me a ler todos os livros que tinha em casa mas a tarefa era mais complicada do que parecia.Tive dificuldades em concentrar-me numa palavra, lia uma frase e voltava atrás porque não compreendia à primeira, em qualquer texto por mais breve que fosse tinha que repetir para absorver a informação. Essa incapacidade de concentração foi resultado das horas perdidas nas tecnologias.

Eu sentia prazer em ver o tempo voar e não pensar na minha vida, nas minhas tarefas e nos meus problemas enquanto estava nas redes sociais. Mas quando parava de navegar caía na vida real e ali continuavam a minhas responsabilidades a espera, por isso colocava outro episódio de uma série e submergia num estado de “hipnose”. E aqui entra a dopamina, cada vez que ia ver o que havia de novo, ela era libertada para me dar a sensação de prazer: estudar 5 min, ânsia de ver o Facebook, dopamina, tentar voltar a concentrar-me, estudar 15 min, ânsia de ver o Instagram, dopamina, e assim tornou-se um hábito.

Depois de uma fase de adaptação pós-depressão, fechei o computador e saí, eliminei apps do meu telemóvel, tirei o facebook, procurei mais livros, e ainda estou no processo. Em consequência e insistência de ler todos os dias notei o meu progresso como leitora, as palavras ficaram mais claras, assimilo o conteúdo mais rapidamente, e não preciso reler. Descobri que os livros são, agora, a minha fonte de conhecimento que vão moldar quem eu sou.

T.

O Jogo do Anjo – Carlos Ruiz Zafón


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Fiquei fã do Carlos Ruiz Zafón desde que descobri “A Sombra do Vento”. Por conseguinte, tive que partir à procura de mais livros do autor e deparei-me com “O Jogo do Anjo” que é uma história anterior.

David Martín era um jovem amante de livros que sofria tanto com a pobreza quanto o desprezo do seu pai à leitura e à escrita. Após ficar órfão, começou a trabalhar num jornal e por incentivo de Vidal, tornou-se escritor profissional. Ele ganha notabilidade suficiente para entrar em parceria com uma editora, em prol de, escrever livros sob um pseudónimo de muito sucesso. 

Martín estava a passar por momentos difíceis e quando parecia que tudo e todos o abandonara, surgiu um editor francês, Andreas Corelli. Este promete dar-lhe a sua vida de volta em troca de, escrever um livro que consequentemente acordou o passado, mistérios e mortes. 

O Jogo do Anjo é um livro com suspense impressionante! Desde do começo deixou-me num estado de alerta, porque, algo de novo surgia, podia ser descoberta, podiam lançar uma nova carta ao jogo. E quando chegas ao fim, pensando que vais ter todas as respostas, afinal é só mais uma carta!

Por último, é um livro que te faz imaginar completamente um filme na tua cabeça. É uma das coisas que mais adoro neste autor, para além de, manifestar a importância e o valor de um livro: “Cada livro, cada tomo que está vendo aqui, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma daqueles que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém desliza os olhos por suas páginas, seu espírito cresce e se fortalece”.

T.

A Sombra do Vento – Carlos Ruiz Zafón

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Quando era mais nova e antes de ter Internet ou computador em casa, passava o tempo apenas a ler. Adorava livros sobre aventuras, descobrimentos, história do mundo! Recordei-me há uns tempos da sensação que tinha ao acabar um livro, ou de passar as páginas e criar o rosto das personagens no meu pensamento. Entretanto, hoje não sei quais os temas que mais me atraem por isso decidi acabar A sombra do vento de Carlos Ruiz Zafón que tanto o meu irmão adora e coleciona.

Daniel Sempere, aos 11 anos é levado por seu pai ao Cemitério dos Livros Esquecidos, uma biblioteca secreta onde se encontram obras abandonadas esperando por um novo leitor que lhe dê vida. O rapaz escolhe o livro A Sombra do Vento de Julián Carax e rapidamente fica fascinado por isso começa a procurar mais das suas obras.

Assim começa a jornada de Daniel com a ajuda de Gustavo Barceló, um livreiro que oferece-se para comprar o exemplar de Julian mas nada obteve. Da sua sobrinha, Clara Barceló, cega e a primeira paixão de Daniel que acaba por desapontá-lo. E Fermin Romero, um mendigo irá trabalhar na loja com o seu pai e torna-se o seu melhor amigo.

Para quem também voltou ao mundo dos livros e quer algo que o incentive, este é uma boa sugestão e penso que disse o mesmo sobre As Dez figuras Negras da Agatha Christie. Porque no começo é onde mais se salienta a importância e o significado dos livros, como cada um tinha alma mas foi esquecida.

No desenrolar da história, há muito romance, investigações, passado e presente, que toma quase toda a vida de Daniel. O que me dá pena do rapaz por passar por tanta coisa, e surpreendentemente Daniel e Julián são muito parecidos!  Ambos adoravam escrever, tiveram uma vida amorosa complicada, trabalhavam com o pai, etc, e quando eles se encontraram senti que já se conheciam há anos. A única diferença entre eles é que Sempere teve um final mais feliz que Carax.

T.