A Minha Vida, A Vida Dos Outros

Tem essa menina com quem eu trabalho temporariamente que tem sido estúpida comigo, já lhe perguntei qual era o problema dela porque dávamos bem no início como colegas, contudo a pergunta ficou pairando no ar.

Numa situação destas sempre fico incomodada se estiver na presença da pessoa, acho o ambiente pesado, péssimo para trabalhar, fico irritada e mal humorada por isso tenho pensado muito sobre como inverter esses sentimentos. Não vale a pena tentar conversar e resolver o problema se o individuo não está disposto a isso, nem ficar irritada, por isso apenas penso na minha vida e na dele, e quando nota-se que você está bem quem fica desconfortável é o outro. O que quero dizer é que não é preciso trocar mais palavras e nem chegar a violência se o outro partir para essa parte porque se ele já tem uma vida miserável é castigo suficiente e motivação para que você lute mais para não ficar como centenas de outras moças na mesma situação.

Grávida aos 15 anos, desistiu da escola ao 9º ano porque já não tinha paciência e foi para as limpezas. Assim será o resto da vida dela, a diferença é que enquanto é nova pode ficar a ganhar 100 euros que fica bem mas depois quando não houver pai nem mãe terá de trabalhar que nem uma escrava para sustentar a criança. Para além disso, não terá qualquer objectivo para alcançar. Por exemplo, eu vejo a faculdade como um meio de teres uma profissão e assim teres uma vida melhor, fazer o que gostas, ter uma carreira, uma realização mas se não chegas aí qual é o sentido de viver? Dormes, vês TV, dás uns passeios, trabalhas nas limpezas e não há mais nada. Não estou inferiorizar o trabalho das limpezas mas não há futuro nisso e é por isso que as pessoas se formam.

Quando trabalhei em Azeitão, um senhor chefe dos garçons que serviram na festa, perguntou a minha idade e disse-me “então estude e seja alguém porque levar a vida como a minha não é viver”, hoje deixo o mesmo conselho para você, estude e se forme, não importa se você tem 19, 21, 25 anos, ainda não é tarde. E é comparando a vida dos que me tratam mal com a minha que me faz ficar quietinha sem arranjar conflitos desnecessário, que me faz pensar “poxa, afinal a minha vida até é boa, eu tenho uma chance” e que me faz lutar pelo o que eu quero.

T.

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